Estrelas de uma noite

O barraco de uma pobre senhora das redondezas, construído num terreno vendido, ia ser derrubado e nós, da Comunidade Jovem do Santíssimo Sacramento, no Água Verde, precisávamos, de alguma forma, ajudá-la.


Conseguimos. Através da montagem de uma peça de teatro e de um show de música, juntamos o dinheiro necessário pra uma casinha de uma água à ela.


A peça foi O Pequeno Príncipe e ficou sob minha responsabilidade tocar em frente. Assim, adaptei, dirigi, produzi e atuei no papel do piloto e narrador, Saint-Exupéry.


Óbvio que não tínhamos verba nenhuma. Conseguimos o Teatro do Cefet emprestado e todo mundo ajudou com tudo. Ideias, materiais, serviços e boa vontade.


O cenário era mínimo: o próprio fundo preto do palco, com estrelas de cartolina e papel laminado prata, penduradas, uma a uma, através de finos fios de nylon, flutuando num céu negro.


Foi uma experiência marcante pra mim e, acredito, pra todos que se envolveram e fizeram a coisa acontecer.


Todos se empenharam e seguindo as orientações de um piá de bosta de dezoito anos, toparam, ensaiaram, decoraram o texto, sofreram, suaram, tremeram, atuaram, cantaram, dançaram e brilharam como verdadeiras estrelas.


Na cena final, quando o Príncipe, vivido por Ciza, volta pro seu minúsculo planeta, abracei o menino chorando, e fora de cena, meu hoje compadre, Paulo, cantou, dedilhando no violão, os acordes de Stairway to Heaven de Jimmy Page e Robert Plant, sucesso do Led Zeppelin.


A letra da música adaptada por mim, dizia mais ou menos assim: Tudo o que se amou e depois se perdeu. Fica no coração para sempre. Olharei para o céu e então te verei. Com o olhar de quem olha um amigo. E então você estará comigo...


Neste momento, graças à magia do teatro, todas as estrelas foram lentamente subindo, deixando no céu vazio e escuro, apenas uma estrelinha, que então brilhava solitária. E então caiu o pano...


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