Duas Filhas de Pedro

Essa casa ficava em frente à nossa, na Avenida Nossa Senhora Aparecida, no coração do Seminário. A nossa não existe mais, virou um banco e um restaurante e esta linda casa também não, virou uma grande, imensa imobiliária.


A casa era acompanhada de uma outra, que ficava à sua direita. Foram construídas juntas, num estilo normando. Não eram gêmeas, nem irmãs, no máximo primas, mas havia uma forte sinergia entre as duas, seu entorno e os pinheiros do imenso quintal que dividiam.


O terreno era ainda maior do que se via. Na parte detrás, acessada por uma estreita passagem, pouco mais larga que um carro, cercada por ambos os lados por muros, havia outras belas casas, dispostas organicamente entre um arvoredo, como uma elegante vila, localizada bem no fundo do campo de futebol do Internato Paranaense.


As casas eram grandes e peculiares, pois, ao contrário das duas da frente, não eram de alvenaria, eram de madeira.


Numa dessas casas morava um casal e suas duas filhas, Seu Pedro, muito conhecido e querido, era professor de Educação Física nos colégios do lugar. Lembro dele entrando e saindo com seu imenso Opala, duas portas, por aquele estreito canal de passagem.


Suas duas filhas, se chamavam Ana e Marta. Achava engraçado, pois minha irmã se chama Ana Marta. Elas tinham, a princípio, a minha idade. Uma delas, a Ana, era minha amiga, lembrava um moleque e conversávamos bastante e brincamos algumas vezes por aqueles lugares.


A outra, apesar de ter praticamente a mesma idade, já se considerava uma pré-adolescente e, de saltinho, cheia de si e alguma maquiagem, não queria saber de rolar naqueles gramados conosco.


Depois que todos nos mudamos dali, nunca mais vi seu Pedro e suas filhas. A postagem deste texto, entretanto, fez com que, mesmo na América, na época, Ana tivesse contato com ele e acabamos nos reencontrando, o que me deixou muito feliz. Soube, entretanto, que Marta, infelizmente, há alguns anos, não está mais entre nós.


Assim como os gramados, o arvoredo, as casas e o bairro, com aquele cenário todo de minha infância, nós os atores daquelas cenas, encenamos hoje noutra peça, chamada presente, e quem sabe, futuro.






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