Dona Romana

Vó Romana, naquela época encasquetou que queria deixar Curitiba e voltar, depois de tanto tempo, pra sua pequena e querida Garuva. Vó Romana, era assim: quando decidia, tava decidido.


E assim foi. Primeiro numa casa pequena alugada num baita terreno no centro de Garuva e pouco depois, numa linda casinha na beira de um rio, num sítio, que suas filhas e genros, juntos, resolveram comprar pra acomodar sua decisão.


Foi nessa época, que ainda namorados, com a tão sonhada e recém tirada carteira de motorista e com o Chevette 76 branco, pela primeira vez na estrada, que fomos passar o fim de semana com ela, com Deus e com todo mundo.


Casa cheia, muitas conversas, muitas risadas e muitas Antarcticas sobre uma mesa animada. Vó Romana tava feliz. Tinha abandonado tudo, pra se refugiar na terra de sua juventude, mas ninguém tinha a abandonado.


Naquela noite, perto dali, em Pirabeiraba, nome escrito numa placa na beira da estrada e que puxou toda essa história de alguma gavetinha, quando passei e a vi, haveria um baile, daqueles, na Sociedade Rio da Prata, o clube local.


Todo mundo se alvoroçou, mas não foram todos que se dispuseram ou que tiveram autorização pra se aventurar e pegar a estrada à noite, com alguém que tava dirigindo a tão pouco tempo.


Quem foi conosco sobreviveu e viveu uma noite mágica e de aventura. Chegar não foi tão terrível, como todos pensavam que seria, inclusive eu, lá no íntimo. Logo, logo estava estacionando o carro em meio a outros num campo iluminado pela lua.


O salão era simples, mas bem iluminado, com muita música, comida e bebida típica alemã, e nós ali, descendentes de Vó Romana e parentes do prefeito, sendo muito bem recebidos.


Pra proporcionar uma dança, digamos, mais solta, o chão recebeu uma fina camada de fubá. Isso facilitava a quem sabia dançar a dançar melhor e a quem não sabia, e ainda não sabe, como eu, a cair com mais facilidade.


Não sabia se ria ou se chorava, pois era como se quisesse dançar patinando, sem saber patinar, muito menos dançar. Depois de muito bailado e muitas risadas, era hora de voltarmos.


Pra quem sobreviveu a ida, a volta pela estrada de madrugada, nem foi tão ruim. Quando chegamos, o jantar, onde todos se divertiram e se fartaram já havia terminado. Nisso, Vó Romana apareceu e veio me avisar baixinho: Luiz, não se preocupe, deixei um pedaço bem bom de costela pra você, aqui escondidinho...


Vó Romana não era aquela senhorinha típica, dada à simpatias gratuitas. Ela era correta, esperta, jovial, mas muito na dela. Aquele gesto, carinhoso e cúmplice, me deu sinal de que eu seria muito bem recebido naquela família. Afinal ela era a matriarca.


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