Dolé Vermeio

Josefina, minha mãe, era a mais velha, Vicente (no colo de minha avó mineira, Ana Maria de Jesus, conhecida como Sinhana, em sua única foto), o do meio e Sebastiana, que na época da foto não era nascida, a caçula, moravam na Guabiroba, um pequeno e afastado lugarejo, perto do distrito do Alecrim, em Siqueira Campos, minha cidade natal.


As crianças não gostaram nada dos filhos dos novos vizinhos. Eram metidos e mimados. Um dia a vizinha foi, com um dos filhos, fazer uma visita à Sinhana e o menino sem querer, quebrou a xícara de estimação de Vicente.


Aquilo foi um afronto e não tardaram a convidar o guri prum passeio na cidade. Ao passarem na frente de uma mercearia, o piá falou: quero um dolé vermeio! Vicente, que nunca foi exatamente um santo, perguntou: cê quer dolé vermeio, é? Tó! E deu um cascudo na cabeça do moleque.


Passaram na frente de uma padaria e o moleque falou: quero um dolé vermeio! E Sebastiana, disse: quer dolé vermeio, é? E deu mais um cascudo na cabeça do menino.


Quando estavam voltando, o guri chorando reclamou: queria tanto um dolé vermeio... E Josefina então falou: queria mesmo um dolé vermeio, não é? Pois vá buscar! E empurrou o pobre guri num córrego e ele se molhou...


Não sei se ele entendeu que não deveria ter quebrado a tal xícara, mas imagino que nunca mais em sua vida ele tenha tido a chance de chegar perto de uma outra naquela casa...


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