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  • Luiz Renato Roble

Dois Lados da Moeda

Certa vez, lendo o Livro Completo de Etiqueta de Amy Vanderbilt, a bíblia sobre etiqueta da milionária americana dos anos 50, que oferece regras pra todas as situações comuns na vida, notei que o tal livro merece realmente ser chamado de completo, pois mostra sempre os dois lados de uma mesma situação.


Em um determinado capítulo do pesado livro, por exemplo, a autora ensina como chegar a uma festa da qual você é um completo desconhecido dos outros convidados.


Mais adiante, em outro capítulo, conferi que, ao dar as dicas de como ser um bom anfitrião, Mrs. Vanderbilt volta àquela situação anterior, agora sob o ângulo de visão oposto, o do anfitrião, pra que ambos saibam como agir nessa embaraçada circunstância.


O perfeito sincronismo da autora demonstra que na vida, a lei da ação e reação é soberana, fazendo com que nossos atos dependam muitas vezes, de como somos tratados pelo outro.


Vivemos sempre esperando que os outros tenham, de alguma forma, uma reação idealizada por nós, que às vezes acontece, mas que quase sempre, fica na esperança.


Esperávamos que nossos colegas fossem sempre nossos amigos e que os professores da escola nova fossem tão bons como os da outra escola.


Esperamos que os outros saibam que estamos na preferencial, que o chefe visualize nosso valor e que o funcionário cresça e se desenvolva.


Esperamos continuar sendo amados loucamente por quem decidimos dividir nossas vidas e que os filhos nos respeitem acima de tudo e que sejamos os melhores amigos de nossos amigos.


Esperamos envelhecer com dignidade, saúde e tranquilidade. Esperamos dias melhores, tardes ensolaradas e noites aconchegantes.


Lembrando das preciosas dicas de etiqueta da lendária Amy Vanderbilt, percebemos que os acontecimentos, assim como as moedas, têm dois lados.


Pra que algo de bom aconteça, não adianta apenas ficarmos apenas esperando. É necessário sermos pró-ativos, fazermos alguma coisa pra que o resultado seja próximo daquilo que esperamos.


Será que quando éramos crianças, tratávamos bem nossos colegas o suficiente pra que um dia, viessem a ser nossos amigos? Será que dávamos aos nossos novos professores bons motivos pra que nos admirassem e gostassem de nós, assim como os antigos professores?


Será que quando dirigimos compreendemos os motoristas dos outros carros como gastaríamos que eles nos compreendessem?


Será que nos esforçamos o suficiente pra que nosso chefe perceba o valor do nosso trabalho ou damos aos funcionários a oportunidade pra que eles cresçam e se desenvolvam como esperamos?


Seja a uma criança ou a um adulto, uma coisa é certa, pra ser amado é preciso amar. Pra que na velhice sejamos respeitados e lembrados por nossos filhos, é necessário que façamos por merecer, que respeitemos seus valores e que deixemos claro a importância deles em nossas vidas o tempo todo.


Na verdade, pra que envelheçamos com dignidade, saúde e tranqüilidade, é preciso antes de tudo que vivamos respeitando a dignidade de quem vive a nossa volta e nos preocupando com a saúde de quem nos quer bem.


Como diz os versos da canção “Make Someone Happy” de Betty Comden, Adolph Green e Jule Styne: “O amor é a resposta. Amar alguém é a resposta. Uma vez que você a encontrou, construa seu mundo em torno dela. Faça alguém feliz. Faça apenas um alguém feliz e você será feliz também”.


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