Deus na Terra

Certa vez, em São Paulo, visitava a maior agência de publicidade do país, pelo menos daquela época ou pelo menos era o que eu achava.


O lugar era o máximo. Grande, amplo, claro, todo branco, aberto, todo integrado, simples, sofisticado e moderno.


Obviamente encontrei o homem, o gênio, o dono da cabeça mais criativa do país pelo menos daquela década ou pelo menos era o que eu acreditava.


Ao ser apresentado a ele, cumprimentei-o e elogiei seu trabalho e claro, o ambiente da agência, destacando os pontos que tinha achado mais pertinentes: a modernidade, a amplitude e a integração das áreas todas num mesmo ambiente.


Ele, o deus na terra, o mágico de oz o magnânimo da criatividade, tombou debilmente a cabeça pro lado, como um órgão atingindo a fase de platô, curvou a boca arrogantemente pra baixo, elevou os olhos santificadamente pra cima e deixou escapar num sussurro mocho de quem quase pede desculpas: não saberíamos fazer diferente...


E foi assim que ele acabou pra mim naquele instante...


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