Dançando na Rua

Foi assim: fui levar o carro na revisão. Voltei de Uber, ao descer, o Alfredo tava lá na frente louco pra conversar com alguém e, assim, começamos nosso amistoso e tradicional papo, um com uma pistola automática em cada mão, o outro com um Exocet.


A rápida e cordial conversa tava, como sempre tava gostava e produtiva, uma coisa, entretanto, me incomodava.


Eu tava de bermuda e uma, duas ou uma nuvem de muriçocas, não sei precisar quantas, atacava minhas pernas, fazendo com que eu, no meio da rua, desse uns passos involuntários e descoordenados de uma anacrônica macarena misturada com uma break dance fora de época.


Assim que o duelo chegou ao fim e pude entrar, corri pra pegar a garrafa de álcool pra passar nas pernas e me livrar daquele triste infortúnio.


Ao levantar a perna pra por o pé na beirada da mesa, entretanto, o arco tracejado mentalmente, foi na prática, impedido de ser concluído, pois um erro de cálculo do tal traçado fez com que eu desse uma cacetada tão forte, com o joelho direito na borda da mesa, que a mesma, mesmo com tampo em granito, deu um pequeno salto do chão.


Se a mesa, que é forte, subiu, eu, quase caí de dor e raiva, já que não tinha ninguém pra botar a culpa, só em mim mesmo. E a coceira, quase que foi esquecida nisso tudo, mas não foi.


Resultado: joelho inchado e roxo. no dia seguinte, doía quando sentado e aliviava quando em pé. Depois inverteu: doía ao caminhar e alívia quando sentado. O que tá ruim, às vezes pode piorar. É a dança da vida…




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