D. Pedro II

Há alguns anos visitei o Grupo Escolar D. Pedro II com o Grupo Croquis Urbanos. Foi nesta linda escola, construída em 1928, que estudei dos seis aos dez anos, do Jardim à Quarta Série, de 1970 a 1974.


Meus irmãos também estudaram, minha mãe, Josefina, e minha tia Sebastiana deram aula até se aposentarem e hoje, minha prima Roseli leciona lá. Não que não tivesse mais voltado ao Grupo. Voltei várias vezes pra votar, mas toda aquela gente, eleitores, fiscais, urnas e um clima de inutilidade pairando no ar, tiravam o sabor da visita.


Aquele dia foi diferente, numa manhã de domingo, cheia de sol, de sombras, de lembranças e de boas vibrações, pude caminhar por seus corredores, por suas salas e escadarias. Até na sala da diretora, eu entrei. E sem ser mandado. Verdade que a sala, como por mágica, mudou de lado. Tem o mesmo tamanho, os mesmos móveis, mas agora fica à esquerda de quem entra e não mais à direita.


Outra que mudou, foi a sala dos professores, que era à esquerda e agora é à direita, de frente pra rua. A sala da Orientação Educacional, onde haviam construído um mezanino, se apresenta agora com seu pé direito original, com mais altura que comprimento.


Na sala da diretora, que obviamente, não é mais a dona Neide Postarek, encontrei o sino com que a zeladora anunciava a hora do recreio. Disseram que hoje isso é feito através de música. Quando soube que são os próprios alunos que as escolhem, fiquei preocupado. Deve sair cada coisa...


Falando em música, encontrei o velho piano da dona Lurdinha. Continua velho, mas agora está na sala da coordenação. Aparentemente fazendo parte da mobília. Sei que dona Lurdinha ainda mora perto do grupo.


A sala do Jardim de Infância continua lá, só que agora é sala de arte. Pensei, se não era só isso o que fazíamos lá, com a dona Ivone.


A cantina continua no mesmo lugar, só não sei se ainda vende a melhor Nega Maluca do Mundo, com aquela cobertura que nunca mais vi igual. Parei ali e pensei ter visto dona Sueli Kosop tocando acordeom na festa junina, naquele mesmo lugar e cantando, com um toque gauchesco, mas num sotaque de curitibano tentando ser caipira: Ai bota aqui, ai bota aqui o seu pezinho...


O prédio, disfarça bem, tanto estrutura, como os acabamentos, muitos ainda originais, não entregam a idade, 93 anos, servindo à educação de muitas gerações.


Foi ali naquelas salas, que descobri e aprendi, que com sons, cores, letras e traços, é possível fazer arte, música, design e até viver disso.


Penso que em algum lugar de nós, guardamos o que já fomos e isso nos ajuda a sermos quem somos e principalmente, a quem seremos. Ter estudado no D. Pedro faz parte de mim.



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