Crônica

Tinha lido que crônica nada mais é do que a análise artística de algo que pode parecer muito simples à primeira vista, como uma caminhada até a padaria, mas que pode resguardar uma série de emoções catalisadoras que só um olhar apurado pode alcançar.


Naquele dia tinha ido duas vezes à padaria, mas antes, de manhã, à lavanderia, à farmácia e a um restaurante, comprar almoço.


O dia tava lindo, a manhã de sábado de inverno, com um tremendo céu azul, me convidou a passear, pois a caminho da farmácia, fui sendo avisado que era tempo de cerejeiras floridas e me toquei que tava indo perto da Praça do Japão. O ninho delas.


Deixei o carro em frente de um prédio Pós-moderno reluzente, na esquina da praça, ao qual não consegui resistir à tentação de fotografar, postar e criticar. Preciso evoluir...


Caminhei até a praça e descobri que não fui o único que lembrei das tais cerejeiras. O local tava cheio de gente querendo tirar fotos. Uns tiravam enquanto outros esperavam e depois, uns esperavam enquanto outros tiravam.


A praça tava linda, com cerejeiras em flor ou sem. Lembrei de quando era criança e íamos lá, domingo à tarde passear.


Sentei num banco e viajei nas lembranças de como ela era, de como eu era e de como estamos. Havia um batuque de atabaque descompassado ao meu lado, mas isso não estorvou que pensasse no passado.


O pai do Ney, meu cunhado, tinha uma empresa de limpeza e às vezes, quando ele ia namorar a Fátima com a Kombi da empresa, nos levava lá. Era uma festa! Primeiro ganhávamos sorvete do Formiga ou do carrinho da Kibom e depois íamos caçar sapinhos. Voltávamos pra casa, felizes, com os copos de sorvete, daqueles de papel e pazinha de madeira, com pouco d‘água e muitos girinos.


Levantei, caminhei, passei pela escultura de Tomie Ohtake pensando na arte moderna e no seu poder de dizer tudo a todos sem falar nada a ninguém.


Saí da praça caminhei pela Sete de Setembro em direção ao bairro, pensando em como esta fatia da cidade é bonita e agradável, ainda mais caminhando por ali num sábado de manhã.


Peguei a receita, comprei almoço e voltei pro carro, lembrando que tinha esquecido de por o Estar e torcendo para que nenhuma Periquita tivesse lembrado de pousar nele.


Não pousou. Nada deveria estragar a crônica daquela luminosa manhã…


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