Como uma Onda no Ar

Desde criança, sempre escutei muito rádio. Na panificadora do meu pai, ligava dois rádios ao mesmo tempo pra dar aquele som stéreo.


Lembro da Rádio Iguaçu, uma rádio jovem e antenada, que por motivos políticos, foi calada na marra em 1977, e da Rádio Cidade e da Estação Primeira que também viraram pó.


Lembro da elegância da Rádio Ouro Verde de antigamente: viajava no A Caminho do Mar, nas manhãs de domingo, com o oferecimento de Jorge Rangel Joalheiros. Hoje pra mim, não é mais a mesma.


Lembro da sofisticação da 6-7-0, Rádio Cidade, do charme da Tonica e do Tony Manero e também do arrepiante programa UFO: porque não estamos sozinhos no Universo, que dava um calafrio de medo, quando era escutado à noite com a janela aberta.


Lembro da brasileiríssima FM Brasil 104, que da noite pro dia deixou de ser brasileira pra ser apenas mais uma rádio meia boca qualquer.


Lembro de quando perdemos a Lumen FM, que era cool, projetos como o Quarta Brasileira e outros ainda mais conceituais, que virou mais uma daquelas estações terrivelmente religiosa.


A piora toda não foi só em nossa cidade: Ponta Grossa tinha uma boa rádio, a Vila Velha FM, que virou, mais uma Mix FM e em Santa Catarina, a fantástica Itapema FM, agora pertencente à RBS, virou uma dessas redes que tocam Easy Music, daquelas de sala de dentista e elevador.


Escutava, desde a alvorada até a madrugada, a ex-translumbrante Educativa, que o governo estadual, tal qual na velha piada da aranha, que ao teve todas as suas pernas cortadas, provou cientificamente, que é mais fácil um rato roer uma corda, nem que esta seja um camelo, enquanto tá no poder, do que ele ter bom gosto musical ou cultura, apesar de muito rico.


176 visualizações3 comentários

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial