Cine Barlan

A Netflix é, hoje, a rainha do lar. Pouco tempo atrás era Now, Net, Sky, DirecTV, Blu-ray, DVD e em outras épocas era o bom e velho Vídeo Cassete, quem ocupava o trono.


Mas e antes disso? As pessoas não tinham como fugir da programação da televisão e até fazerem elas mesmas seus filmes? Claro que sim! Havia o Super 8, em que cada um produzia e projetava seus próprios filmes.


Lembro que quando criança, numa época anterior ao Super 8 e longe de qualquer proximidade com a tecnologia atual, tínhamos concorridíssimas sessões notúrnicas de cinema em casa. Tudo graças ao Cine Barlan, um pequeno e já naquela época, antigo projetor de baquelite marrom com manivela, que fazia a alegria de nossas noites.


Dentro do projetor havia um bocal pra rosquear uma lâmpada. Na frente, havia duas lentes que projetavam a imagem na parede, que servia de tela.


Os filmes, em papel-manteiga eram enrolados em carretéis e iam sendo passados, conforme o girar da manivela.


Além de rodar os filmes, a manivela fazia com que uma peça móvel, fosse levantada e abaixada sequencialmente.


Os filmes continham desenhos duplos, muito parecidos, mas diferentes entre si. Ao passarem pela luz, a tal peça, subindo e descendo, dava a impressão de movimento tímido às figuras.


Tudo era muito simples, tosco, rústico e divertido. Assistíamos diversas vezes as poucas opções de filmes que tínhamos disponíveis.


Lembro apenas de um deles, que era da Galinha Ruiva. Ela ia fazer um bolo e ia perguntando, quem queria ajudá-la a ciscar o trigo, a colher o trigo, a moer o trigo, etc...


Conforme ela ia perguntando, ia obtendo as mesmas respostas da bicharada. O cavalo dizia: Eu não, eu não... A vaca dizia: Eu não, eu não... e assim por diante.


Depois do bolo pronto, mesmo sem conseguir ajuda de ninguém, ela saiu novamente perguntando, quem queria ajudar a comer o bolo e todos respondiam: Eu quero, eu quero, eu quero...


Claro que ela comeu o bolo sozinha, pois esta era a moral da história.


Lembro que mais tarde, meu irmão e eu começamos, nós mesmos a criar nossos próprios rolos de filme para serem passados no Cine Barlan.


Os meus eram obviamente infantis, os dele, já necessitavam tirar as crianças do carro.


Lembro que quando todos se reuniam pra ver os filmes, era uma festa e que mesmo com apenas dois movimentos em cada quadro, nos deliciávamos com nosso cinema mudo.


Eram outros tempos, mas era mesmo muito bom ter um pouco da magia do cinema em nossa própria parede...


77 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial