Cidade Amarelosa

Certos países são lembrados por determinadas características como danças e músicas típicas, cheiros, sabores e principalmente por imagens.


Algumas cidades, são, historicamente, conhecidas por suas cores. Lisboa em Portugal e Casablanca no Marrocos, por exemplo, são denominadas Cidades Brancas. Jodhpur na Índia e Fez no Marrocos, são conhecidas por Cidades Azuis. enquanto outras como Marrakech no Marrocos e Jaipur na Índia são chamadas de Cidades Cor-de-Rosa.


Saber que cidades distantes são identificadas por seus aspectos cromáticos há muitos séculos como uma marrakech ou uma Jodpur, é interessante.


Quando notamos que uma cidade que nos é próxima, em poucos anos, vem se resumindo a uma só cor, o assunto torna-se intrigante. O que pode estar acontecendo com este lugar, com estas pessoas?


Curitiba, a “Cidade Sorriso” dos anos 70, a “Capital Ecológica” dos anos 80, a “Capital do Mercosul” dos anos 90 e mais tarde a “Capital Social”, vem gradativamente, amarelando.


As construções, sejam particulares, comerciais ou administrativas de Curitiba estão cada mais amarelas.


Isto não significa que a cidade pareça pintada com a mesma lata de tinta. Ao contrário, as nuances, tonalidades e matizes são as mais ricas possíveis. O que acontece, entretanto, é que são variações sobre o mesmo tema.


A maior parte do que vem sendo construído, reformado, restaurado ou apenas pintado, nos últimos anos na cidade, acaba invariavelmente, recebendo um tom qualquer de amarelo.


Você anda pelas ruas e vê casas em construção e tem certeza que as verá sendo pintadas de amarelo ocre ou amarelo pastel.


É comum ver muitas casas na mesma rua em amarelo vibrante enquanto outras em amarelas alaranjadas. As belas mansões das famílias tradicionais são pintadas de amarelo acetinado, enquanto as casas geminadas da periferia são amarelo forte.


Parece que um único raciocínio tomou conta do lugar. A loja da esquina, precisa de um destaque? Que tal amarelo ouro. O novo shopping será inaugurado? Um amarelo pálido ficará perfeito. O restaurante caríssimo pintado de amarelo queimado ficará podre-de-chique e a boutique sofisticada em amarelo acastanhado, arrasará o quarteirão.


Enquanto o supermercado do bairro pintado com amarelo ovo, arrebenta a boca do balão, o bar da moda em amarelo dourado combinará com a cor cítrica da cerveja gelada.


A prefeitura está sendo reformada, então será amarelo terra. Um muro alto? Amarelo claro. Um muro baixo? Amarelo escuro. Na caixa-d’água, um amarelo esverdeado.


Para o consulado um amarelo avermelhado é o ideal, a casa histórica em amarelo pardacento ficará politicamente correta enquanto o portal em amarelo escuro terá um tom sublime.


Como designer, gostaria de saber porque esta preferência municipal pelo amarelo. Penso em pesquisar a respeito. Será pela colonização?


Casas de poloneses, que têm uma forte presença na cidade, apresentam entre muitas cores, amarelo terra.


A colônia italiana, grande responsável pela formação étnica de Curitiba pode ter a cidade de Modena, na Itália, conhecida pelo seu tom amarelado, como referência.


Confesso que até hoje, não ouvi quase ninguém comentar sobre a colorização saturada em amarelo de minha cidade. É intrigante pensar entretanto, quais serão os motivos que fizeram e fazem com que um determinado lugar tenha uma presença cromática forte a ponto de chamar a atenção.


Podemos começar a criar nossa própria tradição. Assim como o azul índigo da Levi’s, o vermelho sangue da Ferrari, o preto único do Ford modelo T e o amarelo contagiante de minha cidade, as cores sempre representaram um bom assunto...


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