Carros

Atualizado: 1 de dez. de 2021

Quando pequeno, tinha uma fissura pelo Fissore, acho que era por sua grande área envidraçada. Sei lá. Daí, me apaixonei pelo Simca Jangada. Não imagino porquê, achava o máximo aquele carro.


Depois descobri o Ford Galaxie e foi amor à primeira vista. Fui crescendo e admirando, sonhando com aquele carrão e quebrando o pescoço cada vez que via um nas ruas de Curitiba. Isso até que veio o Alfa Romeo 2300, uau! Mas depois veio a paixão pelo Maverick, pelo DelRey, pelo Scort XR3 e pelo Monza com bunda.

O Monza foi o único desta lista insano-juvenil que pude ter. Depois de dois Chevettes brancos que era o que tinha pro momento, tivemos dois.


Estávamos no Juvevê, na última aula de um curso de oratória, quando vieram perguntar de quem era o Chevette branco, estacionado na frente, na João Gualberto, pois o mesmo tinha sido roubado.


Foram dois pivetes drogados que o roubaram e fizeram o favor de o atirarem de frente a um muro, pouco antes do São Lucas, dando perda total no carrinho. Na foto final do curso eu não apareço, pois tava lá, com os homens fardados, resolvendo um caso comum de trânsito.


Quem nos ajudou naquele momento, foi Seu Basílio Chandoha, pai de nossa comadre Everli. Estávamos a poucos dias do Natal, nos vendo tristes, sem o carro e sem dinheiro pra comprar outro, nos ofereceu o Monza que ele iria mesmo vender, pois tinha acabado de comprar um outro, azul marinho, impecável.


Seu Basílio nos ofereceu um negócio de pai pra filho, pra pagarmos quando e como pudéssemos. Era um verde metálico com quatro marchas apenas. Seu Basílio, que partiu no último Dia de Finados, não só nos proporcionou o carro, como também a possibilidade de termos nossa casa, pois aquele Monza acabou se transformando na entrada do terreno onde moramos até hoje.


O segundo, um cinza chumbo, comprado de um professor da Federal, foi uma experiência inesquecível. Andava orgulhoso pelas ruas de Curitiba, a bordo de um carro automático, com direção hidráulica e trio elétrico. Nossa...


Logo depois veio a paixão pelo novo e o Logus da Volkwagen, era a novidade da hora. Tiramos um no Consórcio Servopa e foi uma grande conquista. Até que apareceram os importados...


Nesta nova onda, a paixão foi o Passat. Arranquei o anúncio na Veja e fiquei namorando o recorte. Tivemos um aquadradado azul, que parecia um Santana arrumado pra missa.


Uma outra e revolucionária onda apareceu: a Internet e nela descobri uma nova paixão, ainda antes de chegar aqui, o novo modelo do Passat, arredondado. Tivemos um bordo, que era lindo e até hoje seria aceito nas rodas da contemporaneidade. Teve problema com mistura de óleos no motor e tive que, a contragosto, vendê-lo


Nessa altura do campeonato, os tempos eram outros. Enquanto os carros foram perdendo o sex appeal, eu fui perdendo o interesse, a ponto de hoje ver o carro apenas como um meio de transporte, que consome toda a sorte de insumo e prefiro, muitas vezes, sair de casa sem ele.


Claro que no fundo sou um piá e aqueles inacessíveis e por isso, sonhos impossíveis, seja pelo design, exclusividade, raridade e preço, continuam flutuando na minha cabeça, mas isso já é uma outra história...


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