Bilhetes

Me leva até o ponto? Era o que perguntava o bilhetinho que recebia durante as primeiras aulas à tarde no Cefet. Pensávamos e dizíamos a todos, e a nós mesmos, que éramos apenas bons amigos. Por isso, atendendo ao pedido dos bilhetinhos, invariavelmente acompanhava Raquel até o ponto do ônibus.


O fato de que estávamos no Cefet, do tal ponto ser na Praça Santos Andrade e de que logo em seguida eu teria ensaio do teatro no próprio Cefet, parecia ser irrelevante. E não vou negar: como era bom!


Caminhávamos pela Westphalen e depois atravessávamos a Rua XV, num passeio pelo lusco-fusco do fim de tarde, conversando e nos conhecendo cada vez mais. Ela pisando firme com seu Bamba branco na realidade, eu voando baixo com minhas divagações, sonhos e abobrinhas, com meu All Star genérico azul.


Desviávamos da multidão apressada no calçadão e fugíamos dos beijos e abraços da Gilda, que parecia ter uma queda por mim.


Ferragens Senff, Cine São João, Presidente Hotel, Confeitaria Cometa, Masson e uma sucessão infindável de fachadas, lojas e marcas que já não existem.


No meio, uma parada pra ouvir chorinho na Galeria Schaffer, o que me faz viajar pra lá, cada vez que ouço um acorde de choro.


Já quase à noitinha, chegávamos ao tal ponto e um beijo de despedida, nos separava até o bilhetinho do dia seguinte.


Os bilhetes continuam. As mensagens pelo WhatsApp têm o mesmo teor e o mesmo sentido num misto de fica comigo sempre e pra sempre? Fico!




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