Barbooosa…

No princípio, as pessoas liam de tudo. Liam, pesquisavam, sonhavam, aprendiam. Depois passaram a ler livros, porém, que não fossem muito grossos ou que não tivessem letras muito miúdas ou que tivessem grandes ilustrações.


Mais tarde, além de abandonarem os livros, deixaram de ler jornais e revistas impressas que tivessem poucas fotos, que por sua vez, foram, gradativamente, virando objetos de museus, que também já não eram mais visitados.


Quase todos passaram a ler apenas online, desde que não fosse textos muito longos, textões, como eles chamavam os textos com mais de cento e quarenta caracteres.


Nas redes sociais, muitos gostavam de fazer comentários, mas sem ler os comentários já feitos. Choviam assim no molhado, comentando coisas triviais que já haviam sido comentadas, repetindo o nome do texto, e perguntando coisas que já haviam sido respondidas.


Essas pessoas passaram a me lembrar, nessa fase, o velho Barbosa, um personagem que, diferente da televisão daquela época, que ainda tinha cérebro, ele não tinha, não acompanhava nada do que era lhe dito e só respondia: Barbosa…


Com o passar do tempo, além de não lerem os comentários, deixaram de ler os posts e qualquer texto que necessitasse dar um clic pra ser lido. Tal qual os antigos egípcios, mantliberam sua atenção apenas à leitura de fotos, que passaram a funcionar como hieróglifos, materializando o velho conceito de que uma foto vale mais que mil palavras.


De tanto não lerem, com o tempo, acabaram perdendo a capacidade cognitiva, não podendo mais interpretar um texto, com opinião, discernimento e compreensão.


Mais tarde, além de não saberem mais falar, pois a comunicação passou a ser feita apenas por figuras, emojis e gifs, deixaram, aos poucos de escrever pra vjnggjnhdxvghnbbhggb....


170 visualizações1 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial