Atravessando a Travessa

Ser criança na Curitiba dos anos setenta era muito bom e muito diferente do que é hoje.


Era um piá de oito anos e frequentava a Escola de Artes que funcionava sob a Biblioteca Pública do Paraná.


Pegava o Rua XV/Barigui e ia sozinho de casa, no Seminário, até o centro da cidade.


As aulas eram variadas e interessantes: Desenho, pintura, escultura em barro, leitura e jogos, mas a grande sensação era o lanche.


Na hora do intervalo, atravessava a rua, pra lanchar na inesquecível lanchonete das Lojas Americanas, que ficava no térreo, na entrada, logo à esquerda.


Lembro que na lanchonete havia itens grandes de cozinha, em cobre, decorando a parede. Invariavelmente comia um pedaço de pizza, servida num papel manteiga, cuja ponta caia pra baixo e o queijo ia se esticando conforme se mordia. Pra acompanhar, um copo de Vitamina rosa batida na hora. Parece que ainda sinto o gostinho da massa queimadinha no canto.


Na volta pra casa, a caminho da Praça Zacarias, pela Travessa Oliveira Belo, lembro do claro e escuro das sombras projetadas pelas vigas do pergolado, tipo um grande caramanchão, que enfeitava a rua naquele trecho. O petit-pavé daquele precoce calçadão ficava todo listrado.


A construção foi demolida mais tarde, por questões de segurança: possibilitar a passagem do caminhão dos Bombeiros, por exemplo.


Falando em exemplo, no final da travessa, já na Zacarias, lembro de uma exposição de carros completamente destruídos em acidentes, que serviam de exemplo à população, pra que compreendesse o quão destruidor podia ser um automóvel em alta velocidade. Acho que naquele tempo, chocado, com o estado dos carros, que mais pareciam esculturas da Simone Marques, já compreendi isso...



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