Arte, Fotografia e Design

No tempo da faculdade, participei de gaiato, de uma viagem a São Paulo, num petit comité. Não planejei nada, não organizei nada, apenas fui convidado pra ir junto.


O motivo principal era visitar a exposição da obra de Hans Donner, hoje meio decadente, mas naquela época o oráculo do Design Gráfico, na Galeria São Paulo.


Somente uma visita não justificaria duas noites mal dormidas em ônibus pela Regis Bitencourt, assim Daniel, Daniele e Cassiana, haviam planejado e negociado, duas visitas técnicas a profissionais de arte e fotografia.


Descemos no Terminal Tietê, pegamos o metrô e fomos direto pra Casa/Atelier de Newton Mesquita. Em uma casa com aquele jeito que foi crescendo, por aqui e por ali, o dono de um talento ímpar e de uma simpatia tímida, nos recebeu de braços abertos.


O artista plástico, um misto de designer gráfico, ilustrador e arquiteto, sempre teve um olhar urbano e melancólico sobre as cidades e seus moradores.


Por usar fotografias em projeções na execução de suas obras, sempre foi visto, por parte da crítica, como um Norman Rockwell tupiniquim.


Ele nos contou sobre sua arte, suas motivações e sobre sua técnica. Uma grata experiência, que me fez olhar o espaço urbano de outra maneira, mais poética.


Pegamos um táxi e fomos pra segunda visita. Num lugar feio e movimentado, numa rua em obras, uma casa simples envolta por barro pra todos os lados, foi assim que encontramos o estúdio de JR Duran, na época já, o papa dos ensaios da Playboy.


O fotógrafo bambambam, responsável pelas fotos das mais lindas mulheres que se possa imaginar, não nos tratou mal, mas também não nos tratou bem.


Ele nos recebeu, conversou conosco, com certa, digamos, timidez e nos mostrou seu trabalho numa pasta portfólio sobre a mesa.


Não pode dar muita atenção, pois havia uma modelo num roupão branco, acabando de fazer maquiagem e pronta pra ser fotografada.


Uma experiência interessante, poderia ter tido um pouco mais de calor humano, mas que no final ganhamos um pôster da exposição Beijos Roubados, que ele tinha realizado pouco tempo antes.


Saindo de lá fomos então na exposição de Donner. Uma retrospectiva da melhor fase desde artista gráfico, que sempre andou no fio da navalha entre o brega e o chique, o bem e o mal. Alguma coisa sempre se pode aprender e a exposição tava muito bem montada.


Uma viagem rica, com pessoas interessantes, onde pude conhecê-los melhor, já que os três são amigos desde a infância, e onde pudemos ver de perto o que de melhor tava sendo feito no Brasil em artes plásticas, fotografia e design. Uma bela experiência.


Praça Buenos Aires, obra de Newton Mesquita


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