Arroz com Feijão

Fui fazer exame nos olhos e Raquel queria que contasse alguma história, além do fato de ter parado pra tomar sorvete na praça.


A princípio disse que não tinha nada de interessante pra contar, daí lembrei de algo tão corriqueiro e trivial, tipo arroz com feijão, o que pra mim, inclusive, é uma mistura rara.


Fui chamado por uma enfermeira daquelas em que os santos não batem, ou vai saber, se pegam mesmo na porrada. O fato é que ela não fez nada de mais pra mim, e diga-se de passagem, nem de menos, apenas chamou meu nome e me indicou qual daquelas portas eu deveria entrar, sem nem olhar pra minha cara.


Não houve nem um sorriso com os olhos. Se houve com a boca, não posso garantir, pois a máscara teris ocultado. Posso garantir, por outro lado, que ninguém consegue, nem ela, sorrir com a boca e não ser denunciado pelos olhos.


Não queria que a véia se arreganhasse pra mim, mas também não gosto que me tratem com tanta indiferença, como seu eu não fosse ninguém. Não que eu seja alguém especial, mas, bem, acho que você entende o que quero dizer...


Entrei na sala e a moça que iria fazer o exame foi agradável e simpática comigo. Pensei: que diferença… a véia ficou por ali, zanzando atrás de mim.


A moça disse a ela: - fulana, traga, por favor, uma tesoura e gaze pra mim. -Você não vai furar meu olho, vai? Perguntei.


Ao ouvir isso a véia começou a rir: - Cicrana, você vai furar o olho do seu Luiz? E dava mais risada…


A simpática Cicrana emendou: vou sim, traga uma tesoura bem afiada! - E um balde, disse eu. A véia dava ainda mais risada.


Logo em seguida, acabou o exame e saí da sala. As duas, que tinham então os olhos brilhando, felizes, se despediram de mim, com simpatia e carisma.


Pensando bem, o que ocorreu ali naquela salinha foi algo mesmo corriqueiro e trivial, como arroz com feijão. Nem sei porque servi. Se não quiser, deixe de lado, no prato.


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