Aconteceu Naquela Noite

Estávamos em Morretes, na chácara da Regina, onde houve a tal festa do Roque Santeiro. Na noite de sexta-feira, ela falou que queria mostrar uma coisa a todos. Fomos, nuns cinco carros, por uma estradinha, beirando um campo, no pé da serra.


Num determinado ponto, o primeiro carro parou e desligou o motor e os faróis. Descemos todos, silenciamos os rádios e apagamos as luzes. A noite então nos abraçou com seu manto úmido, fazendo-nos ouvir apenas o som dos grilos.


Como que por magia, começamos a reparar, a princípio, em centenas, depois em milhares e quem sabe, milhões de vagalumes voando e brilhando, numa desorganização harmoniosa, por todo aquele campo escuro.


Claro que não tiramos nenhuma foto, pois naquele tempo, não tínhamos costume, máquina ou tecnologia pra registrar aquilo tudo. O registro mais importante, entretanto, fica salvo em nossa retina, em nossa lembrança, naquilo que somos ou que pensamos ser.


Li estes tempos, em algum lugar, que estes incríveis seres entraram pra lista dos animais em extinção no planeta. Nunca mais ouvi a palavra vagalume, sem ser arremessado àquela noite, àquela visão, àquela experiência surreal. Acho que é isso que chamamos viver.



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