A Travessia

Aquele dia amanheceu com chuvisco. Resolvemos tomar café antes de irmos pra Caiobá, pra Raquel treinar na Praia Mansa. Nisso, parou de chover e resolvemos deixar o café da manhã pra depois.


Diante do medo da fila do Ferry Boat na volta, resolvemos ir a pé. No interior da embarcação, porém, ai porém, tinha um ônibus da Graciosa indo pra Paranaguá. Fui lá e perguntei se podíamos embarcar até Caiobá e descermos logo na entrada da Praia Mansa.


O motorista disse que sim, porém, ai porém, eu teria que colocar uma bermuda, pois só de calção de banho, apesar da camiseta, não seria permitido entrar no ônibus. Argumentei que como seria só até a entrada de Caiobá, não daria pra dar um jeito. Ele foi trocar uma ideia com o cobrador.


Enquanto isso, tive uma ideia. Não seria uma bermuda que iria impedir o universo de evitar que eu tivesse que caminhar cinco quilômetros. Cutuquei o motorista e perguntei: - E se eu me enrolar numa toalha, parecerá uma bermuda, tudo bem?


-Tudo bem! Ele disse. Chamei Raquel e pedi a toalha fitness roxa que ela tinha na mochila dela. Dobrei a toalha de comprido, pra não parecer uma crente e a enrolei na cintura.


Foi assim que entrei de saia no ônibus com destino à Caiobá. Na saída do Ferry entretanto, o infeliz do ônibus virou à esquerda e não à direita. Que diabo! Pra onde essa carroça tá indo? Pensei.


Falei pra Raquel: -Calma, aqui não tem saída, é só um lugar onde quem gosta, vem comer ostra, ele logo volta. Será? Olhei no Google Maps, a estradinha ia embora, toda vida, toda vida...


Não teve jeito, tive que desfilar minha saia roxa pelo ônibus e perguntar pro cobrador. -Não se preocupe, só vai até Cabaraquara e já volta. -Ah, tá bom. Respondi.


Deu certo. Depois, o negócio foi torcer pra que nos outros dias também tivesse ônibus no Ferry Boat. E, quer saber, levar bermuda, pra que?


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