A Surpresa

Eu vi a a copa de 70 em preto e branco. Lembro de gritar e jogar traques na parede e do quanto minha mãe não gostou do meu estilo de comemorar.


Lembro da de 74, quando a HM emprestou uma Colorado RQ colorida pra assistirmos a copa e se quiséssemos, comprar o televisor depois.


Não sei como, mas "nós" não quisemos e o aparelho voltou pra loja do mesmo jeito que chegou.


Voltou pra de 78, quando, voltando da feira numa manhã de sábado, encontrei uma caixa tão grande, mas tão grande, que parecia uma barraca pra seis pessoas.


Uma bela surpresa! Dentro dela, uma TV Sanyo 26 polegadas que, pros padrões da época, era uma enormidade sem fim, com a tela praticamente do tamanho da do Cine Marajó.


Além da tela ser grande, ela vinha de fábrica, como uma tartaruga, dentro de um casco de madeira, que mais parecia um móvel à parte.


"Eles" demoraram, mas quando resolveram, compraram uma senhora televisão. Havia um botão de girar, que marcava mais de cem canais, os quais diziam, um dia iriam haver no Brasil.


A TV envelheceu e os tais canais nunca houveram, apenas aquela meia dúzia de três, que, bem ou mal, existem até hoje, mas que pelo meu distanciamento com o meio, nem lembro os nomes.


Numa época onde a televisão era, praticamente, a única porta com o mundo, ela quase fazia parte da família.


Hoje, coitada, abobalhada, esterilizada, massificada e esquecida, pelo menos pra mim, é a soberana absoluta do reino do ostracismo…


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