A Queda de Tindiquera

Atualizado: 30 de jan. de 2021


Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro. Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro. Talvez o valente Tindiquera não tenha gostado de nossa selfie ou da livre citação que tinha feito à sua pequena grandeza.


Nunca tinha atravessado o Tingui, sem que não fosse de carro. Achei lindo, poético, cheio de pontes, matas, ciclovias e claro, descidas e suas companheiras: subidas. Acho que ele precisa ser mais bem divulgado. Me imaginei pedalando em Mônaco.


Diferente do Barigui, entretanto, as vias das ciclovias são estreitas e as bicicletas têm que ser mesmo magrelas, pra poder fazer existir a mão dupla.


Não sou só eu que tô, ou sempre fui, fora de forma. A bicicleta também não tá lá essas coisas e precisa de uma revisão urgente, principalmente nos itens: corrente, coroas e adjacências.

Foi assim: num ponto sob a mata, cheio de gente indo e vindo, inclusive de bicicleta, numa inesperada subida, ao tentar mudar a marcha, que a corrente travou e o incidente aconteceu.


Tal qual uma cena de John Woo, daquelas num slow motion cinematográfico e dramático, empacotei de cara no chão, porém, sem machucar a face.


Fui caindo devagar e vendo, inerte, cada vez mais, o asfalto se aproximando. Todos pararam pra ver o corpo estendido no chão.


Minha vontade era ficar ali quieto, mas o clamor público exigia saber se tinha quebrado alguma coisa. Levantei e todos concordaram comigo que, apesar de algumas avarias na lataria, a estrutura tava intacta.


Tinha passado repelente nas pernas e misteriosamente, esqueci que eu existia da cintura pra cima também. Depois da queda, inexplicavelmente, as mordidas dos maruins, já nem tavam mais tão ruim.


Relatório: após acidente, o cidadão apresentou visíveis e leves escoriações, principalmente a estibordo do corpo, sendo: dois locais da canela, joelhos, pernas, dois locais da mão, dois locais do antebraço e ombro.


Além do breve incidente, devido a um erro de planejamento, tinha tomado toda a reserva d’água do cantil o que me fez passar muita sede até chegar em casa. Não quis comprar, pois queria chegar logo ao destino.


E vencendo estrada e muro, consegui chegar. Como diz o gênio Emicida: viver é partir, voltar e repartir. Bem, é o que eu tô tentando fazer...




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