A Peleja

Não sei se é até normal nalguma fase da existência, mas tanto a vida, quanto a morte, rondam minha mente, quase que diariamente.

Não é o mero e simples medo de morrer, mas como dizia Chico Anízio, é dó de não continuar vivendo.


Há alguns que realmente não se incomodam com isso. O Thomas, por exemplo, é um deles. Eu não faço parte deste bloco e só não penso nisso quando tô trabalhando.


Enquanto no trabalho, vou fundo na existência, viajando, alçando voo e me entregando, integrado com aquilo tudo que, na minha cabeça crio, pra depois implantar no mundo real.


Voltando à vaca fria, três infelizes e recentes acontecimentos me fazem, se não tô trabalhando, pensar no duelo entre Gabriel e Azrael, decidindo quem é beneficiado com a continuidade da vida ou é anunciado morto.


Esses dias perdi Sedu, que era meu amigo, mesmo sem ter sequer apertado sua mão. Compreendi que Azrael não tem muita paciência, e levou Sedu, mesmo cheio de sonhos impossíveis, de histórias intermináveis e entrelaçadas e de amigos, sem que tivéssemos dividido, ao menos uma vez, uma mesa com um café ou uma coalhada Schaffer.


Morreu João Paulo Diniz, que tinha a minha idade, mas diferente de mim, muitos bilhões de dinheiros nos bolsos. Compreendi que Gabriel nem sempre ganha a luta e deixou, como não poderia deixar de ser, que um cara, mesmo cheio de vida, de energia e de uma senhora fortuna, de um momento pro outro, deixasse de existir.


Hoje, acordei com a triste notícia da morte de Jô Soares. Um cara que cresci admirando. O via na TV, desde a Família Trapo e em todos os seus programas. O lia semanalmente na Veja e em todos os seus livros. O admirava como ator, escritor, pintor, entrevistador e principalmente por sua inteligência. Ele viveu e aproveitou bastante, não dá pra negar, mas pensar que ele, já não faz parte da vida, é algo que me entristece.


Onde preciso chegar, pra dar fim a isso? Que devemos nos esforçar pra encontrar as pessoas a quem queremos bem enquanto é tempo. São elas que fazem a diferença. E que independente de tudo que temos que passar e passamos, de todas as angústias, de todas as dificuldades, se as temos, é sinal de que Gabriel ainda tá resistindo.


Não devemos esquecer que no final, entretanto, por mais sonho, herança ou inteligência que tenhamos como dote, Azrael é tinhoso, e um dia, mais cedo ou mais tarde, ele ganhará a peleja. Aproveitemos, portanto, enquanto a toalha não é jogada.


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