A Palmeira

Atualizado: 4 de mar.

Estive, naqueles dias, lá pras bandas do Seminário e tive a oportunidade de visitar o que foi um dia a casa onde, recém nascido, vim morar em Curitiba e que mais tarde tinha sido reformada por meu pai.


Na verdade, vi apenas o que sobrou dela: a palmeira que meu pai plantou. E não foi apenas nossa antiga casa que sumiu, mas toda a quadra, desde a Bispo Dom José, descendo a Dom Ático e virando, na contra mão, a Sete de Setembro, todo o meu passado foi engolido pelo futuro.


Foi estranho ver a ausência de nossa casa, que bem ou mal, mesmo transformada num ponto comercial, tava lá, firme e forte, impávida que nem Mohammed Ali. Foram também, além dela, a casa do seu Ari, que acompanhei a construção, tijolo por tijolo e a casa da dona Rosa, cuja garagem era na Sete de Setembro, que com uma porta de ferro de enrolar, guardava um modelo anos 40 do falecido, o qual era uma relíquia e que ela logo tratou de vender ao enviuvar.


Na esquina da Sete, tinha também a casa da Sandra e do Laco, numa posição alta, a tal garagem do falecido e uma fantástica casa hollywoodiana, modernista, que foi de um empresário que tinha o meu nome e que faleceu nos Estados Unidos nos meados dis anos setenta.


A casa era linda e elegante e a piscina dava pros fundos da nossa casa. Eu a enxergava pelos cacos de vidro coloridos concretados sobre o muro.


Tudo aqulio se transformou num grande lote, com três faces, que virou um imenso canteiro de obras e depois virará moradias pra novas famílias e novas histórias. Só restou mesmo, a palmeira do meu pai. Uma heroína da resistência.


137 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Frigidaire

Essencial