A Ilha

A cerca de 35km do litoral paulista, pode ser um pouco mais ou um pouco menos, entre as belas praias de Peruíbe e Itanhaém, há uma pequena ilha rochosa, chamada Ilha da Queimada Grande, também conhecida como Ilha das Cobras.


Descoberta em 1532, ou próximo a isso, pela expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, a ilhota tem chamado a atenção ao longo dos últimos cinco séculos, na verdade um pouco mais, por um detalhe peculiar: é habitada quase que exclusivamente por cobras da espécie jararaca-ilhoa, encontradas apenas ali.


A pequena ilha se destaca por ter o segundo maior aglomerado de cobras por área em todo o planeta, perdendo apenas pra Ilha de Shedao, na China.


São cerca de 45 cobras por hectare, mais ou menos, isto quer dizer uma média. Pode ser que em algum hectare haja mais aglomeração que em outros.


Como a ilha tem uma área de 43 hectares, conclui-se que há cerca de 1935 cobras na ilha. É um número aparentemente grande, mas se levarmos em conta que na Ilha chinesa há mais que isso, o número torna-se relativamente menor do que parece.


Especialistas contam que o colonizador provavelmente protagonizou o primeiro caso de devastação do local. Ele e sua equipe ancoraram, caçaram e, antes de voltarem aos navios, receoso de ter má sorte, mandou atear fogo na ilha.


A prática de atear fogo à ilha se tornou corriqueira e já no século 19. Por causa do farol instalado nela, os faroleiros que tentavam morar na ilha ateavam fogo na vegetação com o intuito de matar os répteis.


Desta prática surgiu o nome Queimada Grande, resultado das queimadas recorrentes na ilha que podiam ser avistadas no continente. Do fato das queimadas não conseguir eliminar as serpentes, surgiu o codinome Ilha das Cobras.


A ilha se formou na última era glacial, quando o nível do mar subiu e separou o morro, que fazia parte da Serra do Mar, do continente. O isolamento de uma população de jararacas comuns, que ao longo dos milhares de anos seguintes evoluíram e se diferenciaram de suas parentes continentais e se transformaram na jararaca-ilhoa.


Elas acabaram se tornando menores e menos pesadas do que suas parentes, pra se locomoverem melhor durante a caçada nas árvores e adquiriram a capacidade de agarrar coisas utilizando a cauda, além da dentição ter ganho um aspecto mais curvo, pra que possam prender as aves enquanto o veneno age.


As habitantes da ilha medem entre meio metro e um metro de comprimento, medida aproximada, é são vivíparas, ou seja, não põem ovos, gestam, que nem aos mamíferos, dando à luz a 10 filhotes, aproximadamente.


Desde 1925, o farol foi automatizado e sua manutenção é feita uma vez por ano por uma equipe da Marinha. Devido ao perigo, o acesso à ilha é estritamente controlado, necessitando autorização do Governo Federal, dada principalmente pra pesquisadores.


Apesar da ilha ser uma ARIE, Área de Relevante Interesse Ecológico e pertencer a APA, Área de Proteção Ambiental de Cananéia-Iguape-Peruíbe as ameaças são constantes.


As cerca de duas mil cobras do local, tão ameaçadas de extinção, devido às constantes queimadas ainda feitas por pescadores que querem desembarcar na ilha e do tráfico de animais silvestres, pois uma cobrinha daquelas, pode alcançar aproximadamente R$ 30 mil, valor aproximado.


Ciente dessa porção de terra isolada do resto do continente, sofrendo, há séculos, com mandos e desmandos que, cada vez mais, ameaçam seus habitantes, que não podem sair dali e que onde ninguém quer entrar, apenas pra os caçar, penso se não caminhamos quase nesta direção e se, mais cedo ou mais tarde, com tanta ignorância e ceticismo, não teremos, mais dia ou menos dia, aproximadamente o mesmo destino...



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