A Casa dos Meus Sonhos

A magia do cinema consegue nos levar a lugares em que nunca estivemos, passar por coisas que nunca passamos e viver vidas que nunca tivemos.

Uma das façanhas que o cinema nos proporciona, é a de viajar no tempo como em A Máquina no Tempo, de 1960, em Algum Lugar do Passado, de 1980 e em De Volta para o Futuro, de 1985.

Viagens no tempo são fantásticas, elas, entretanto, não são as únicas a me surpreender. Aquelas que criam realidades paralelas, psicológicas, me deixam ainda mais embasbacado e faz com que a vida seja mais que poderia ser.


Em Giulia e Giulia, de 1987, por exemplo Kathleen Turner, é Julia, é uma americana que vive em Trieste, na Itália, desde que ficou viúva, no dia do seu casamento, cinco anos antes. Uma noite, depois do trabalho, dirigindo, passa por uma névoa misteriosa e quando chega em seu apartamento, descobre uma mulher estranha morando lá. Do outro lado da rua, na elegante casa que ela e o marido haviam comprado e ela não vendeu, encontra o marido e seu filho de cinco anos, tratando-a como se tivessem juntos o tempo todo e o acidente de carro fatal nunca tivesse acontecido. Júlia passa o resto do filme então, graças ao milagre do cinema, pendendo entre as duas realidades, descobrindo até que tinha um amante nessa outra vida.


Já, em A Vida de Outra Mulher, de 2012, Juliette Binoche, vive Marie, uma mulher de 25 anos, que acorda um belo dia com 40 anos, morando num fantástico apartamento frente à uma assombrosa e próxima Torre Eiffel, com um menino na cozinha a chamando de mãe, sem se lembrar de nada sobre os últimos 15 anos. Entre os transtornos desta nova realidade, ela terá apenas quatro dias pra reconquistar o homem de sua vida, já que sua vida tava um caos.


E em Um Homem de Família, de 2000, Nicolas Cage vive Jack, um bem sucedido executivo que mora sozinho num elegante apartamento de Manhattan. Solteiro e rico, ele um dia acorda numa casa simples de um subúrbio, vivendo outra vida. Está casado com sua antiga namorada da faculdade, com dois filhos que ele nem sabia que tinha.


Filmes assim, misturados aos que viajam no tempo, me lembram de meu sonho recorrente. Nele, me vejo em nossa casa, em Santa Felicidade, em diferentes épocas, ora antes da construção, ora durante as obras, quase nunca na época atual e a casa nem sempre se parece com o que ela é.


Nele, eu sou eu, mas a casa, nem sempre tá no lugar real. Às vezes ela se encontra no meio do mato, às vezes no meio de um areal. Ora com vizinhos, ora num lugar ermo, sem vizinhos, mas sempre é a nossa casa ou assim a sinto.


A vida, como nos sonhos, depois de se misturar com o enredo de tantos filmes e livros, que lemos e assistimos e experimentamos, se confunde com a arte. E ela é assim, nunca será de ninguém, porém eu não sei viver sem. E fim.



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