A Cadeira

Atualizado: 24 de jul.

Criada em 1902, pelo arquiteto escocês Charles Rennie Mackintosh (1868-1928), a Hill House Chair 1, também conhecida como Cadeira Mackintosh, é um dos primeiros projetos do Movimento Moderno.


A cadeira, que tem influência no modernismo, com toques japoneses, foi projetada especificamente prum quarto da Hill House, em Helenburgh, perto de Glasgow. Mais tarde, suas linhas foram seguidas até por Frank Lloyd Wright, um dos três grandes arquitetos da historia, além de Mies Van Der Rohe e Le Corbusier.


Sua geometria linear e a grade de pequenos quadrados superiores, marcam o design da conhecida peça. Feita em carvalho laqueado de preto, com assento solto, estofado em veludo de seda nas cores salmão ou verde, seu principal objetivo nunca foi funcional ou comercial, mas decorativo. Ela, antes de tudo, é uma obra de arte. Feita pra ser contemplada e admirada, não usada pra se sentar diariamente.


A Cassina, uma empresa italiana, especializada na criação de móveis de design sofisticados, a fabrica e a comercializa desde 1973. Soube de sua existência ao estudar o Art Noveau, nos primeiros anos da faculdade e a paixão foi arrebatadora. Tentei, juntamente com um fornecedor daquela época, forjar uma cópia em metal, mas o tal projeto nunca saiu do papel.


Havia em Curitiba, uma elegante loja de móveis, instalada num lindo casarão na Dom Pedro II, no Batel, que vendia produtos Cassina. A loja se chamava Bernardo & Bruni, e era capitaneada pelos arquitetos Regina Bruni e Jayme Bernardo, que mais tarde acabaram sendo meus professores na pós-graduação de arquitetura.


Naquele tempo, entretanto, nem a Federal eu tinha terminado ainda, tava começando a empresa, com todas as dificuldades financeiras imagináveis, mas também com muitos sonhos e um deles era, um dia, ter uma cadeira daquelas.


O casarão em que ficava a sofisticada loja, foi até pouco tempo uma pizzaria premiada e hoje é um dessas churrascaria gourmet, era todo envidraçado pela frente e por trás. Nos fundos, dava prum arvoredo e os móveis, todos modelos assinados, imperavam em seu interior, entre eles, a Hill House 1, o meu sonho, e a Hill House 2, no mesmo estilo, mas muito maior e mais cara, a qual nunca me interessei.


Pensava: um dia, em que as coisas começassem a dar certo, eu compraria aquela cadeira. Este dia finalmente chegou. Estacionei o fusca bala branco na frente da loja e saí de lá, feliz, com a cadeira embaixo do braço e com algumas duplicatas pra serem pagas no bolso.


Pensei que aquele dia era emblemático e entraria pra minha história. Não tava enganado. Quando Raquel chegou em casa naquela noite, vinda da faculdade, levou um susto comigo, sentado nela, a esperando na sala do nosso primeiro apartamento no Água Verde.


Depois, ela foi conosco pro nosso segundo apartamento, pra edícula, pro escritório no Ecoville, até voltar novamente pra edícula, onde agora é o nosso estúdio, sempre num lugar de destaque.


Nos tempos em que haviam diaristas, sempre tínhamos que explicar pra terem cuidado com a cadeira, várias vezes a encontramos com panos úmidos e até balde sobre o assento de veludo de seda.


A Hill House Chair I, há mais de trinta anos faz parte de nossa vida, como se fosse da família e esses tempos, foi num dos seus elegantes pés palito, talvez influenciado pelo nome da cadeira, que o Thomas achou por bem, fazer, de perna levantada, o número um.



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