A Bolha

Esses tempos queimei minha mão e descobri várias fases a serem vencidas numa circunstância como essa.


Primeiro, obviamente, a da Dor. Lutei bravamente e tal qual o Gafanhoto, aguentei firme até me livrar do prato quente que segurava. Nenhuma linguiça Braganholo foi ao chão.


Não ficou exatamente a marca de um dragão tatuado, mas o local ficou liso e brilhante. Esta foi a Fase do Ardor. A mão inchou e toda a área em volta ficou sensibilizada.


A marca evoluiu, cresceu e se transformou numa bolha. Viajei na maionese, pensando que aquilo evoluiria tanto que tomaria conta de mim e eu viraria a Bolha Assassina.


Não virei. Chamei essa, a Fase da Contemplação. Minha bolha parecia um belo mandarová. Eu cuidava dela com zelo e carinho, pois me proibiram de estourá-la.


Ao chegar numa loja, entretanto, um simpático vendedor apertou minha mão com tanto entusiamo, que a bolha silenciosamente estourou.


Senti, além da dor, o líquido escorrendo pelos dedos. Peguei meu lenço e discretamente me sequei enquanto fazia a compra.


A coisa evoluiu, passou pra Fase do Estica e Puxa. A queimadura foi secando e repuxando a pele, dando um certo desconforto. É neste ponto que batemos a mão em tudo quanto é quina, justamente ali, naquele ponto fragilizado. A gente fecha o olho e finge que não está sentindo nada...


Não via a hora de atingir a Fase da Casquinha. É quando pensamos: Não vou tirar a casquinha, não vou tirar a casquinha, mas quando saímos do transe, já tiramos uma lasca, tendo que voltar algumas casas no jogo.


Um dia surpreendentemente descobri que a tortura chegou ao fim e como lembrança, ficou uma pele rosinha ... Linda ... É a fase da Adoração...


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