Café

Naquele dia, Raquel chegou faceira com um pacote de café torrado e moído na hora, que ganhou de um cliente do litoral e veio me mostrar.


Nem precisei abrir o pacote de papel pra sentir o aroma e na hora ser levado por ele à Rua das Flores na Siqueira Campos de minha infância, no Empório do Wilson, sob a casa do tio Vicente, que exalava o mesmo cheirinho por todo o lugar.


Sentia esse perfume cada vez que passava pela porta aberta que dava pro corredor calçado de tijolos que dava acesso à casa. A casa tinha sido construída por meu pai, por isso no portão, havia as estranhas iniciais: M.E.R., Manoel Esteva Roble.


O corredor escuro, formado pela casa do meu tio, irmão de minha mãe, à esquerda, tinha a parede da casa de minha avó materna, à direita, exalava o cheiro do café e especiarias do empório.


No fim do corredor, o aroma era outro: casca de pães estalando de frescos, vindo da panificadora do tio Vicente. Os pães, ao saírem do forno à lenha eram contados e colocados em cestas de vime e sacos de tecido branco, por seu Paulo Preto, pra entrarem no Jeep branco e azul e serem levados às vendas dos sítios e vilarejos da região.


Várias vezes o acompanhei nessa peleja... Onde diabos fica guardado tudo isso?


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