É Pau, é Pedra

Com a confirmação da compra do terreno em Santa Felicidade, o que nos fez ficar sem carro e sem dinheiro, pudemos, através de suas medidas, ver na prática se aquilo que tínhamos como a casa dos nossos sonhos, poderia, ali, se materializar.


Passamos várias noites rabiscando e desenhando, como a imaginávamos e sonhando com ela, até sabermos que o lindo terreno de esquina, que havíamos comprado, não poderia ser nosso, pois tava atrelado à muitas dívidas municipais, estaduais e federais. A lista media mais de metro…


Passada a tristeza e o desapontamento inicial, a famiglia responsável pelo loteamento conseguiu um outro terreno pra nós. Um que nem tava à venda, sem ser de esquina, mais alto e ainda mais bonito que o primeiro.


Como desenhávamos em papel sulfurize, meio transparente, a solução que encontramos não foi difícil: viramos a folha no avesso e passamos a pensar no projeto de forma espelhada: o norte virou sul e o leste, oeste.


Em nossa lista de desejos constava: uma piscina, uma varanda com churrasqueira, salas integradas, jardim de inverno, lareira, dois quartos pros filhos que imaginávamos ter e um quarto de estudos que viraria quarto de hóspedes, quando necessário.


Naquele tempo, tudo era mato e o terreno era de fato bonito. Sozinho na quadra, bem mais alto que a rua e mais baixo que o dos fundos, o que permitiu encaixar a edícula no barranco.


A casa, que não tem um estilo definido, pois foi criada com aqulio que gostávamos, independente se tivesse ou não, ligação entre si, não foi construída numa só empreitada.


Construímos inicialmente apenas a edícula e a piscina, itens essenciais pro então jovem casal e depois a casa propriamente dita. A mesma máquina que cavocou a piscina, fez o buraco da garagem da casa que ainda não existia…


Imaginávamos construir a casa logo, mas não foi o que aconteceu. Na primeira semana morando na edícula, descobrimos que seríamos três e assim, ficamos nela por mais três anos, com a edícula cada vez menor.


A demora no início da construção da casa acarretou um outro problema: levantamos um tapume antes da piscina, com um portão pra guardar o carro que o acessava por uma longa rampa de saibro. Com o tempo, o buraco foi sofrendo erosão e a tal rampa foi ficando cada vez mais estreita e perigosa.


Conseguimos, com muito sacrifício, começar e terminar a casa e este era nosso medo: ficar com um esqueleto inacabado na frente. Literalmente, com pau e pedra, aos trancos e barrancos, finalizamos a obra um pouco antes de virarmos quatro.


A edícula, e depois a sonhada casa, criada, desenhada e construída por nós, são realidade há quase três décadas. Apesar de não totalmente finalizada como queremos, é nela que construímos nossa vida, nossa família e nosso amor. Ela é mais que nossa morada. É o nosso lar.



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